Seu canto atraía as aves, que voavam em torno dele, os peixes, que saltavam alto do mar para ouvi-lo... movia pedras e árvores, que o acompanhavam. Fez parte da tripulação do Argos, e com seu canto abafou o das sereias, salvando os Argonautas.
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Orfeu percorre toda a Grécia atrás dela, por fim segue pela estrada do reino dos mortos, como Héracles antes dele (mas não por amor). Seu canto comove Caronte, que larga seu barco e o segue; Cérbero não late ao ouvi-lo; Sísifo senta sobre sua pedra; Tântalo esquece a fome e a sede; os juízes dos mortos choram, e todos os mortos choram com eles. Perséfone se comove com o pedido de Orfeu e chama Eurídice com um gesto.
É lei do mundo subterrâneo que não se pode olhar para seus habitantes. Orfeu parte seguido por Eurídice mas, perto da saída, olha para trás, e a vê pela última vez: três ribombos de trovão e Hermes a leva.
Orfeu passa sete meses numa caverna, e ao sair se vê cercado por meninos adolescentes querendo ser instruídos. Ele os inicia nos Mistérios que trouxe da visita a Perséfone, instrui no ascetismo, e canta o começo das coisas e dos deuses. É um adorador de Apolo.
Uma madrugada, subindo a um monte para ver o sol nascer, surpreende o rito secreto das mênades a Dioniso. Elas o matam, esquartejam, e espalham os pedaços. A cabeça, espetada na lira, continua a cantar enquanto desce o rio.
Os mistérios órficos eram uma forma ascética de iniciação masculina, base da escola de Pitágoras. Seu criador mítico era o único herói (mortal), já que os de Elêusis e os dionisíacos tinham como iniciadores as deusas Deméter e Perséfone, e Dioniso, respectivamente.
No mito de Orfeu o casamento sagrado - casamento com a deusa - aparece modificado, mas o nome de Eurídice a liga a Perséfone.